ESPERANÇA E SOLIDARIEDADE NO ANO NOVO

ESPERANÇA E SOLIDARIEDADE NO ANO NOVO

Escrito em 31/12/2020
diocese

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O Ano Novo de 2021 acaba de ser inaugurado. Quando se inicia um novo ano, a sociedade se reveste dos melhores augúrios e bons auspícios, como que renovando a esperança de acertar a “rota” do novo caminho. Este ano de 2021 parece até ser desacreditado por alguns, já que o ano de 2020 deixou marcas terríveis na sociedade mundial e a crise gerada demonstra que adentrará no novo ano. Pode até parecer que o sentimento seja de querer esquecer 2020, todavia, as marcas, as crises, as experiências, as pesquisas e descobertas deverão ajudar a tirar lições e a contribuir na nova “rota” que precisa ser assumida, seja em âmbito pessoal como social, econômico e sanitário dos Estados e Nações.

O Papa Francisco escreveu em sua mensagem deste ano pelo Dia Mundial da Paz, intitulada: “A cultura do cuidado como percurso da paz”, que o ano de 2021 “faça a humanidade progredir no caminho da fraternidade, da justiça e da paz entre as pessoas, as comunidades, os povos e os Estados”. Ao citar o ano de 2020, o Papa relembra que a crise sanitária causada pela pandemia fez aflorar outras crises e que foi um ano marcado por muito sofrimento, muitas lágrimas e perdas.

Contudo, foi também um ano de muito esforço, de união das equipes de saúde e doação, quase em exaustão, para cuidar dos inúmeros doentes. Foi também um ano de muita pesquisa científica e de novas redes de solidariedade que se criaram, somando-se a todo um trabalho solidário existente. Um ano de esforços coletivos pela vida, de superação e momentos de reinvenção de planos e paradigmas, diante das dificuldades estabelecidas. Vê-se que não foi de todo um ano perdido.

Algo marcante que o Papa Francisco também escreveu em sua mensagem é que “é doloroso constatar que, ao lado de numerosos testemunhos de caridade e solidariedade, infelizmente ganham novos impulsos, várias formas de nacionalismo, racismo, xenofobia, guerras e conflitos que semeiam morte e destruição”. É muito triste assistir e constatar que alguns subjugam a pesquisa científica e espalham ares de desdém ou deboche para com a situação que é tão grave. Só para citar, no Brasil, enquanto alguns tratam o Coronavírus como uma “coisinha qualquer”, dizendo que isso logo vai passar, a contaminação e seus efeitos já ceifaram a vida de mais de 190 mil brasileiros.

Um dos horizontes para o ano de 2021 é o respeito pela vida, é a empatia e ternura para com o outro, é fazer acontecer a “cultura do cuidado pela vida para construir a Paz”. O novo ano traz esperança e luz para um futuro melhor. Deus ama tanto a obra criada que é incapaz de abandoná-la ao caos. Deus entregou este mundo ao homem e à mulher, com o intuito que eles pudessem ajudar a cuidar da casa comum.

Espera-se que o ano de 2021 seja também de fortalecimento das relações frutuosas e não de individualismo e exclusão. Que o exemplo bíblico de Caim que mata seu irmão Abel, e responde “acaso sou guarda de meu irmão”, seja superado pela humanidade e esta consiga implantar mais amor, solidariedade e respeito. Na mesma mensagem, o Papa ainda afirmou, “a solidariedade nos ajuda a ver o outro não como dados estatísticos, nem como meio a usar e depois descartar, mas como próximo”. Construa-se, escreveu ele, entre homem e mulher da sociedade, nas estruturas governamentais e entre as Nações, a lógica do “rumo comum” e que “a solidariedade seja em prol do bem comum”.

Pe Edvagner Tomaz da Cruz

Reitor do Seminário Diocesano