O império da corrupção e a assistência à saúde

O império da corrupção e a assistência à saúde

Escrito em 02/08/2019
diocese

A Saúde é considerada um dos pilares fundamentais na vida de toda sociedade. Não pertence à um partido político, uma sociedade privada, alguns infiltrados mercenários corruptos, ou algumas multinacionais. É direito de todos e dever do estado garantir à assistência à saúde.

Nos próximos dias 04 a 07 de agosto de 2019, acontecerá em Brasília, a 16ª Conferência Nacional de Saúde, organizada pelo Conselho Nacional de Saúde, e é um dos maiores eventos de participação social do país, em um momento de retrocessos e graves ameaças as diretrizes e financiamento para as políticas públicas de saúde.  O processo de construção histórica da nação brasileira, permite que no âmbito da Saúde os governantes públicos sustentem suas prioridades. Portanto, a Conferência Nacional de Saúde terá como tema central Democracia e Saúde e, seus eixos temáticos serão: Saúde como Direito, Consolidação dos Princípios do SUS e Financiamento do SUS.   A escolha temática para a conferência é um resgate memorial da 8ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1986, cujo encontro ofereceu bases para Constituição Brasileira, em 1988.

Estamos ainda inertes e atônitos diante da gestão pública em todos os sentidos, sobretudo no tocante dos direitos que estão sendo sucateados e furtados.  Há uma busca pela precarização do trabalho e da saúde e, não um empoderamento do trabalhador, com uma política pública de saúde que assume a prevenção de doenças, com um trabalho livre de exploração e humilhação. Há muito que se fazer!

O profeta Oséias, já nos exortava que “ o povo está sendo destruído porque lhes faltou conhecimento, porque o povo rejeitaste o conhecimento” (Os 4,6). Ainda há pouca participação popular associada à uma falta de interesse para conhecer a realidade profunda que estamos sendo mergulhados diariamente e há décadas, haja vista, que fomos e somos acometidos e flagelados pela doença incurável da corrupção que atingiu e atingi a todas instâncias de governo, condenando aos usuários do sistema a mortes e ao abandono principalmente nas camadas mais vulneráveis da população.  Vale aqui ressaltar que durante 20 anos a Saúde pública não receberá investimento, e isso é devastador e preocupante, pois à saúde cuida da vida do antes do nascer até o morrer e necessita ser atualizada e enriquecida pelas novidades tecnológicas dos estudos e das ciências que promovem o bem comum.

O documento orientador que apoia aos debates da 16ª (=8ª+8) Conferência Nacional de Saúde, alerta os participantes da conferência, para a tomada da consciência da realidade que estamos vivendo e a defesa da Constituição Federal que garante o direito humano fundamental à Saúde, tendo em vista que mais de 80% da população brasileira tem o SUS como única opção de assistência à saúde.  Somos o maior e melhor SISTEMA DE SÁUDE DO MUNDO, que atende 207 milhões e 600 mil pessoas, pobres e ricos, espalhados pelos estados e municípios do Brasil.  Segundo a Organização Mundial da saúde, somos exemplos para o mundo através do: Resgate de emergências e atendimento pré- hospitalar em situações de acidentes, Tratamento da SIDA( Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – Aids) Assistência Farmacêutica (distribuição de medicamentos para o controle de doenças crônicas não transmissíveis  – diabetes, hipertensão), Sistema de Hemocentros, Sistema Nacional de Transplantes, Imunização e produção de vacinas para doenças emergentes e negligenciadas e sobretudo a expansão do programa saúde da Família e  sabemos que com esse conjunto de atividades há uma significativa melhora dos indicadores de saúde.

Contudo, estamos num contexto desafiador e de retrocessos sociais, porém não perdemos a esperança e a resiliente capacidade para enfrentar as estruturas de pecado manipuladoras, impostas e incorporadas pelo império da corrupção, do medo, do descaso e sobretudo do abandono do mais pobres, oprimidos e marginalizados.  Sejamos nós protagonistas, profetas e partícipes da promoção à vida. Vamos acompanhar de perto o desdobramento dos próximos passos da conferência nacional de Saúde.

Juliano Fortunato Godoy de Souza – Seminarista da Diocese de Jales